Favela Brass é uma escola de música gratuita para crianças na favela Pereira da Silva em Laranjeiras, Rio de Janeiro. O projeto, fundado em 2014 pelo trompetista britânico Tom Ashe, oferece aulas nos instrumentos de sopro, percussão e iniciação musical para 150 crianças com entre 5 e 15 anos de idade. 

 

A escola promove uma mistura da tradição do samba do Rio de Janeiro com o jazz de Nova Orleans e possui 2 conjuntos musicais: a Fanfarra, composto de 15 alunos intermediários, tocando temas populares e nacionais, e a Brass Band, de 10 alunos avançados, que toca no estilo second line, tendo como referência os arranjos do Rebirth Brass band e o Hot 8 Brass Band de Nova Orleans.

 

As alunas e alunos têm aulas 2 vezes por semana gratuitamente. Os instrumentos utilizados no projeto foram recebidos, em grande parte, através de doações. A percussão fica sob o comando do Mestre Carlos “Mangueirinha” São Vicente da G.R.E.S. Vila Isabel, e também conta com a ajuda de uma equipe nacional e internacional de professores pagos e voluntários.

Favela Brass

Nossa História​

Seguindo seu amor da música brasileira, o trompetista inglês Tom Ashe mudou de Londres para o Rio de Janeiro em 2008. Ele se integrou rapidamente na cena musical de metais, samba e jazz. Em seu primeiro carnaval foi chamado para tocar no Boitatá, um dos blocos mais importantes no Rio. Dentro de um período de alguns anos, tocando em vários grupos e dando aula particular para adultos, o Tom se deu conta de que havia um problema sério: as crianças de famílias carentes, particularmente as que moravam nas comunidades do Rio, não tinham a oportunidade de aprender um instrumento de metal. As principais razões pelas quais havia essa carência eram as seguintes: as aulas de instrumento não eram acessíveis na maioria de escolas públicas; haviam pouquíssimos projetos não governamentais de educação musical que focavam no desenvolvimento das crianças no longo prazo; instrumentos de metal são aproximadamente entre duas e três vezes mais caros no Brasil do que são nos EUA ou na Inglaterra.

Devido a esses fatores, instrumentos de metal em uma das cidades mais importantes do mundo tornou-se um privilégio, sobretudo, dos alunos adultos de classe média e classe alta do Rio.

 

Na tentativa de mudar essa dinâmica, o Tom se mudou para a comunidade Pereira da Silva em Santa Teresa em 2014 e começou a dar aulas para as crianças locais três vezes por semana em sua própria casa, usando instrumentos doados por amigos da Inglaterra. Em pouco tempo ele já se juntou ao mestre percussionista Mangueirinha São Vicente da escola de samba Vila Isabel, ao trompetista americano Joe Epstein e a muitos outros professores voluntários brasileiros e internacionais. 

 

O projeto Favela Brass surgiu com um grupo de apenas quatro crianças, mas a comunidade tomou conhecimento do projeto e logo já éramos uma banda de 30 alunos. A fama continuou e, em 2016, nossa banda foi destaque na cobertura da BBC News dos Jogos Olímpicos do Rio.

Além de aprender a música tradicional brasileira, as crianças do Favela Brass são regularmente expostas ao jazz e à música improvisada, principalmente ao estilo “Second Line” tocado por bandas de metais em Nova Orleans. Embora nossos alunos nunca tivessem ouvido esse estilo, quando Tom o introduziu em 2015, eles imediatamente o adotaram e imprimiram sua própria identidade a partir dele. O repertório do Favela Brass, agora, representa uma mistura de música popular brasileira, música internacional e música de rua de Nova Orleans.

 

Em 2018, o trabalho do Favela Brass foi reconhecido pelas Nações Unidas no Brasil. Nossa escola também tem sido reconhecida pela mídia internacional, incluindo O Globo, The Guardian, AJ + e The Rio Times entre outros. 

Favela Brass

Um fator essencial no sucesso recente do Favela Brass tem sido o trabalho de nossa coordenadora administrativa Carola Bitencourt e uma equipe dedicada de voluntários, que aumentaram a eficiência e o profissionalismo das nossas ações.

 

No ano passado, o Favela Brass começou a oferecer aulas em quatro escolas estaduais locais, recebendo outros 60 alunos regulares. Estamos programados para expandir ainda mais em 2020 e estamos colaborando com outros projetos de música juvenil para estabelecer programas de intercâmbio para nossos alunos no Brasil e no exterior. Acompanhe nossas ações nessa área!